Este é um tema que tem ganho crescente relevância à medida que a nossa vida quotidiana se entrelaça, cada vez, mais com o ambiente virtual. A sociedade contemporânea vive uma era em que a internet não é apenas uma ferramenta para comunicação ou entretenimento, mas também um espaço onde identidades são construídas, marcas são promovidas e relações são formadas. No entanto, à medida que a digitalização avança, surge a necessidade de se refletir sobre o significado de sermos autênticos neste ambiente e como isso impacta indivíduos, empresas e a sociedade em geral.  

Se no mundo real existem protocolos, patentes e documentos que autenticam a veracidade da aquisição de património físico, intelectual e cultural, no mundo digital esta é, definitivamente, uma área cinzenta. Há que haver verticalidade na criação de conteúdos e, sobretudo, a apresentação desses mesmos conteúdos deve fazer-se acompanhar de habilitações literárias comprovativas desses saberes.  

É fundamental haver verticalidade nos comportamentos e nas atitudes. O facto de algo ser partilhado in verbum, não dá legitimidade a outra pessoa de usar, usurpar e publicar algo que lhe foi confidenciado ou apresentado só porque possui os meios para o fazer. Tenhamos a consciência que os conceitos sistémicos continuam a fazer parte da integridade e do crescimento humano. Estes valores são o caminho invisível por onde passamos todos os dias e vamos deixando depósitos de sabedoria , de amor, de harmonia, de paz, de compreensão, de tolerância e de respeito. 

A autenticidade pode ser interpretada como a qualidade de sermos originais no que dizemos, fazemos e partilhamos aos outros e a nós próprios no nosso diálogo interno connosco próprios. Os estudos apontam que passamos cerca de . Ser genuíno e fiel à própria essência. Na filosofia, é frequentemente associada à ideia de vivermos de acordo com os próprios valores e crenças, sem sermos excessivamente influenciados pelas normas externas ou expetativas sociais. Ou seja, num mundo onde todos querem ser iguais, seguir as mesmas tendências, falarem dos mesmos temas (com formação ou sem formação) – Também isto daria para ser desenvolvido num outro texto. No mundo digital, esse conceito é desafiado pela possibilidade de criar e manipular identidades virtuais, muitas vezes desconectadas da realidade. 

As redes sociais e outras plataformas digitais oferecem um espaço onde as pessoas podem se expressar, mas também promovem uma cultura de cura, a qual os usuários escolhem, cuidadosamente, o que partilham para construir uma imagem idealizada. Isso levanta questões sobre até que ponto essas representações são autênticas e como a busca por validação externa pode distorcer a identidade. É fundamental exigir os certificados de habilitações às pessoas que vendem serviços sobretudo no âmbito da saúde mental e da doença mental.  

A pressão para sermos autênticos no mundo digital é paradoxal. Por um lado, existe uma exigência crescente por conteúdo verdadeiro, especialmente entre as gerações mais jovens, que valorizam a transparência. Por outro, as dinâmicas das redes sociais, frequentemente, incentivam a criação de uma “marca pessoal” que pode ser, cuidadosamente, projetada para atrair “gostos” e seguidores. 

Esse paradoxo é evidente na forma como os influenciadores digitais trabalham para criar um equilíbrio entre partilhar aspetos das suas vidas pessoais e manter uma imagem cativante. Muitos buscam transmitir uma imagem de vulnerabilidade, mostrando imperfeições ou desafios pessoais para se conectarem com as suas audiências – A chamada jornada do herói em que relatam que já foram sofredores, mas que depois conseguiram alcançar os seus objetivos usando o método X. No entanto, mesmo essa vulnerabilidade pode ser estrategicamente calculada, o que levanta dúvidas sobre sua autenticidade. 

Ser autêntico num mundo rodeado de sombras é muito complicado. Se a jornada do herói for efetivamente verdadeira, como eu acredito que em muitos casos seja, então a autenticidade deste individuo é uma verdadeira e genuína inspiração, um exemplo a seguir, uma esperança e uma luz num mundo onde tantos vivem na escuridão. Porém, cuidado com os contadores de histórias que incentivam uma viagem medíocre e que o desespero de quem está do outro lado do ecrã, fica automaticamente aliciado pela possibilidade de ser feliz. Campanhas autênticas frequentemente envolvem um storytelling, onde as marcas partilham histórias reais e impactantes para se conectarem emocionalmente com seu público-alvo. Isso pode incluir destacar histórias de funcionários, clientes ou comunidades que beneficiaram de produtos ou de serviços. No entanto, há um risco: se essas histórias forem percebidas como artificiais ou manipuladoras, a reação pode ser negativa e prejudicial para a reputação da marca. 

A falta de autenticidade no mundo digital pode ter consequências significativas tanto para indivíduos quanto para a sociedade. Ao nível pessoal, a comparação constante com as vidas idealizadas que outros apresentam online pode levar a sentimentos de inadequação, de ansiedade e de depressão. A chamada “cultura do highlight reel” (ou “cultura do melhor momento”) faz com que os usuários sintam que precisam corresponder a padrões irreais de sucesso, de beleza e de felicidade. Criam uma falsa ideia do que é sermos verdadeiramente felizes. A aceitação das imperfeições como uma forma perfeita de autenticidade deveria ser um conceito a ser abraçado por todos nós. A nossa própria condição humana, faz com que sejamos eternamente imperfeitos, não importa o quão perfeitos possamos er haveremos sempre de falhar em alguma coisa e em última instância, mesmo que consigamos atingir a intangibilidade da perfeição, se não morrermos, inevitavelmente, ficaremos velhos e logo imperfeitos. Então, a perfeição tenha o significado particular e singular que tiver para cada um de nós, será sempre uma utopia criada pelos nossos padrões conceptuais do que é ser belo e perfeito. 

 Não me interpretem mal. Todos temos o direito de mudarmos o que achamos que nos faz mal, que nos impede de sermos felizes, mas devemos fazê-lo não por comparação, mas por uma opção consciente. Primeiro eu gosto de mim como sou e depois, então, mudo o que eu acho que pode, eventualmente, me fazer mais feliz ainda.  

Em um contexto mais amplo, a falta de autenticidade também afeta a confiança nas relações online e na informação partilhada. Fakes news, perfis falsos contribuem para um ambiente digital que se torna difícil discernir o que é real e confiável do que efetivamente não é. Isso pode levar a um desgaste na confiança nas instituições e nas próprias interações humanas. Há um clima de suspeita que paira em cima das nossas cabeças para onde quer que vamos, aquela sombra vai connosco, menos quando estamos no nosso ambiente seguro, rodeado do que eu chamo “as minhas pessoas”. Aquelas que fazem parte do núcleo, do cerne onde tudo começa e acaba na mais perfeita harmonia. 

No âmbito empresarial, a autenticidade tornou-se um fator crucial para o sucesso no marketing digital. Consumidores modernos são mais céticos em relação às táticas tradicionais de publicidade e tendem a valorizar as marcas que demonstram transparência, responsabilidade social e um compromisso genuíno com os seus valores. O posicionamento no mundo digital tem de refletir o posicionamento na vida real. Eu não posso ser uma pessoa real com uma vida real a vender a ideia, o conceito e o princípio que não corresponde à minha verdade, no mundo digital. Eu não posso roubar a ideia de alguém e torná-la minha só porque tenho os meios digitais para o fazer. Compete aos utilizadores fazerem esta triagem de quem vende o quê para não serem enganados.  

As ferramentas digitais desempenham um papel ambíguo na busca por autenticidade. Por um lado, tecnologias como editores de imagem e filtros de redes sociais permitem que as pessoas ajustem sua aparência e ambiente, o que pode distanciar as representações digitais da realidade. Por outro lado, plataformas como blogs, vlogs e transmissões ao vivo criam espaços onde os indivíduos podem partilhar experiências pessoais de maneira espontânea e não filtrada. Por isso é fundamental em algum momento unir o digital ao presencial através de eventos previamente organizados. As “lives” são uma forma de mostrar às pessoas que aquela pessoa é real, que existe e ela própria pode apresentar as suas habilitações literárias, dizer em que universidade estudou, que curso tirou e em que ano. Dados que possam ser verificados e que oferecem fidedignidade.  

Com o desenvolvimento da inteligência artificial, o conceito de autenticidade no digital continuará também a sofrer transformações e indiscutivelmente também irá evoluir. Por exemplo, a emergência de avatares virtuais e de ambientes imersivos levanta novas questões sobre como definimos “ser autêntico” em um mundo onde até mesmo a identidade pode ser completamente virtualizada. O Mundo Metaverso também é um ambiente que requer um olhar atento e permanente. 

A autenticidade no mundo digital é um desafio complexo que reflete as tensões entre autoexpressão, validação social, realidade e perceção, conexão e isolamento. Promover uma cultura digital autêntica requer esforços conjuntos de indivíduos, empresas e plataformas para criar espaços onde a verdade e a essência possam crescer e juntos sermos uma força grandiosa para ajudar as pessoas a desenvolverem um mercado de trabalho muito positivo porque podemos levar a nossa voz a todas as partes do mundo. A Academia Magda Franco de Desenvolvimento Humano é uma escola sem paredes onde todas as pessoas do mudo têm uma cadeira para se sentar, um conteúdo para aprender e uma mentora qualificada para ensinar, partilhar e também aprender a partir da multidiversidade, pluralidade cultural e partilha de interesses. 

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